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Professora nordestina escancara na web descaso com a educação. Realidade é idêntica a de MS

O Brasil ficou atônito na última semana com o pronunciamento contundente da professora Amanda Gurgel em uma audiência pública sobre educação realizada no Rio Grande do Norte.

No vídeo, que já coleciona mais de 1,8 milhão de acessos no youtube, além de ter trechos repercutidos em rede nacional pela TV Globo, a professora escancara em menos de dez minutos vários problemas enfrentados pelos professores e alunos do seu município para ter uma formação de qualidade.

O que nos espanta é que, mesmo distantes quase quatro mil quilômetros de lá, enfrentamos as mesmas dificuldades e descaso governamental com a questão educacional.

Em Dourados, a principal escola pública encontra-se fechada e sem perspectivas de reabertura. O prédio que deveria ser demolido para construção de um belo centro educacional, com maquetes do mesmo espalhadas por todos os jornais locais atribuindo a diversos políticos sua autoria, encontra-se tal e qual foi deixado pelos alunos a quase dois anos: em total estado de abandono. É possível que os alunos da Escola tenham de esperar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 para poder voltar a estudar no antigo prédio do colégio mais tradicional da cidade.

Além disso, outra escola estadual localizada no centro da cidade passou por uma reforma mal terminada desde 2008 e está sem perspectiva de reinauguração. Isso para não dizer do caos enfrentado por muitas escolas municipais no início do ano letivo que incluíam falta de professores, funcionários, merenda, estrutura física e apoio pedagógico.

A professora Amanda começa seu depoimento falando de números. E, enfatiza, “ele possui apenas três algarismos: um nove, um três e um zero: 930! Não é um número expressivo, mas é o número do meu salário!  Com nível superior e especialização”, diz. Os deputados presentes na audiência pareciam não acreditar no que ouviam. Engana-se quem acha que aqui do lado do Sul, a realidade é diferente. Nossos mestres precisam multiplicar os 930 de manhã, 930 de tarde e 930 de noite para sobreviver. A carga horária extenuante chega a 36 aulas dadas semanais.

O descaso é tal que nosso estimado governador teve a capacidade de entrar na justiça (Supremo Tribunal Federal) para não aplicar os 30% da carga horária destinada à hora atividade – período destinado à pesquisa, correção de provas e planejamentos – aos professores, previsto na Lei do Piso Salarial Profissional Nacional – Lei nº 11.738, de 16/7/2008. Pelo contrário, exigiu planejamentos quinzenais em vez de bimestrais. Se considerarmos que a Universidade destina mais de 50% da carga horária ao planejamento, vemos que a Educação Básica engatinha a passos lentos rumo ao desenvolvimento. Como dar uma boa aula com duas horas de planejamento semanais?

“Querem que nós salvemos o Brasil com um pedaço de giz e um quadro negro?” Esse é o maior desabafo da colega do nordeste. Onde estão os 25% da Educação? Cadê os recursos tecnológicos? Foram-se foram todos com os mais de mil notebooks destinados aos “melhores” alunos no final do ano passado? E aquele aluno que necessita de utilizar os recursos tecnológicos e têm dificuldade de aprendizagem? Resta a eles os PCs Linux ou os micros ano 1998 que ainda subsistem nas escolas? Ao professor cabe a responsabilidade de educar, absorver todas as pressões sociais, intermediar conflitos, planejar, avaliar, sem que a sociedade e o poder público lhe deem os subsídios mínimos necessários.  “Sou eu a redentora do país?” é um dos questionamentos mais contundentes.

Qualquer trabalhador tem direito à vale alimentação ou cesta básica. Isto é uma premissa até mesmo das empresas particulares. Ao professor, é renegado até mesmo o “cuscuz” da merenda! Segundo Amanda Gurgel, no RN é a promotoria que, em vez de apontar as falhas no processo educacional, está na escola para fiscalizar a destinação da merenda. Aqui ainda não temos a promotoria, mas temos gestoras a dizer: “professor não pode comer desse cuscuz aqui não! Se quiser, tem de ficar na fila dos alunos!” Agora questiono, como esperar na fila dos alunos dentro do exíguo tempo de descanso do(a) professor(a) no intervalo?

São graves os problemas educacionais do Brasil. Se quisermos adentrar o primeiro mundo temos de começar procurando meios de saná-los. A presidenta Dilma enfatizou em seu programa que a educação seria o diferencial de seu governo. Esperamos que essa prioridade inclua fiscalização nos municípios, aplicação correta dos recursos, investimento na formação e dignidade do(a) professor(a), cumprimento da lei do piso em MS já e escolas equipadas com material pedagógico e tecnológico moderno. Só assim teremos um país desenvolvido.

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Escrito por Alaôr às 11h50
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